terça-feira, 5 de maio de 2009

o que é preciso?

são duas horas da manhã eu preciso trabalhar e minha cabeça não deixa. penso em tanta gente em tanta coisa em tantos caminhos caminhados coloridos felizes ou não. eu preciso escrever um monte de coisas que não sei mas só escrevo isso sempre o mesmo de sempre que não sai de mim desde que nasci. cada ano que passa e parece que passa nada passa quando fico assim e não consigo fazer nada além disso que não me serve mais. não posso dormir porque preciso trabalhar mas não consigo me concentrar nisso que talvez devesse importar mas no fundo não tem a menor importância por isso só me pego pensando nas coisas que tornam a vida possível. na minha cabeça nada do que deveria mas se repete a frase da música que ouvi há horas e não devia estar aqui porque não tem nada a ver com isso. a vida é tão rara. o que é que a gente faz quando precisa trocar tudo que está dentro mas não pode esvaziar senão o risco é de não ser são nunca mais enquanto ainda estou aqui. são três horas da manhã e eu preciso trabalhar para provar que sou capaz e sair de casa às nove para chegar lá às dez e dizer quanto eu custo. eu custo a acreditar que isso está acontecendo porque a minha cabeça não pára de cuspir palavras e eu devia estar fazendo outra coisa. coisa. esses cabelos compridos às vezes me irritam demais e então me dou conta de que já perdi a conta de quantas crases usei quando não uso mais trema e então devo estar compensando. são quatro horas da manhã e fico compensando uma coisa com outra portanto entenda que no fundo nada disso tem a ver com você é só um escape. um ladrão. essa coisa toda me rouba um tempo precioso que devia estar sendo ocupado com algo de útil e nada me convence de que o que eu devia estar fazendo é mais útil do que isso. preciso tirar esses passos todos de dentro de mim deitada no chão do xadrez que não acaba nunca enquanto a rainha se movimenta ainda que sem ter a menor idéia de aonde vai e do que pode fazer para vencer o jogo. é uma brincadeira ridícula essa que a cabeça da gente insiste em brincar. bato a testa na parede repetidas vezes para ver se alguma coisa acontece mas eu não enxergo nada a não ser os amores inacabados que me sangram pelas têmporas doloridas de tanto forçar a vista e tentar ver o que não existe. não encontro mais dentro de mim o sangue fervendo que faz tudo valer a pena mesmo no meio da madrugada quando já sei que o dia vai começar e eu não estarei em nenhum outro lugar a não ser neste mesmo espaço repetido há anos. e com a cabeça vazia quando não podia porque eu já disse que esvaziar é um risco grande demais quando são cinco horas da manhã e já já eu não tenho mais lua. ela fica lá e eu não posso tocá-la nunca e mesmo que não queira eu me convenço de que seria bom só pra ter alguma coisa em quem pensar quando chega a madrugada cheia de trabalho incompleto e vontades misturadas a nada. eu misturo tudo toda vez e é por isso que nada chega a lugar nenhum e os meus sonhos são solitários de dia de noite de pedra de pó de poeira de estradas de terra e o pôr de sol de um dia feliz quando passava o trem que a gente achava que estaria lá pra sempre. mas a terra gira e mesmo o mesmo trem é outro e eu nem sei mais onde você está ou quem é você em mim ou em qualquer outra pessoa que te complete ou te iluda. nem você sabe se este você é você porque quando eu falo dessa vontade ela não tem o cheiro de ninguém só o meu coração que não sabe mais o que diz ou sente iludido ou não. eu esqueci tudo que sabia de cor porque nada mais existe em nenhum papel em nenhuma tela é tudo ilusão e cinema que termina quando eu sou obrigada a abrir os olhos cheios d'água na frente e atrás de todo o mundo. e me envergonho me envergonho me envergonho me envergonho porque não levanto da cadeira há horas há anos há dezenas de desejos ridículos e saudade idiota e a luz apagada não demora o tempo que eu preciso para dizer não obrigada. são oito horas da madrugada. deite. o oito. e tudo de novo ficou pra trás pra frente pra sempre que ventania vai acabar a luz de nov

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