quarta-feira, 7 de março de 2007

Para voltar... a escrever

Um dia você me ensinou a tomar chá.

Muito antes eu me apaixonei. Só por isso tomei o chá.
Era uma coisa minha. Só minha. Minha e boa. Minha e única.
Minha e cheia de uma alegria que eu quase esqueci que existia.
Era a razão das minhas vontades. De todas elas.
De ir trabalhar e de não ir. De ir a qualquer lugar. De fazer qualquer coisa.
Tudo diferente do que eu fazia antes. Tudo que eu nem gostava ou queria.
Mesmo que fosse uma fria. Com você, não era. Eu ria.
Sorria com aqueles olhos.
Aqueles olhos que você sabe...

E você foi o sol, num momento em que tudo escurecia.
Você nem sabia. Mas não precisava saber.
Era exatamente essa a magia.
Você me fez ir ao mar. Mesmo que do mar eu nem gostasse tanto.
Por causa do sal.
Mas até o sal, com você, era bom.

Sei lá o que era, te confesso.
Mas eu tremia, como se nevasse.
E mesmo se nevasse... eu nem ia embora.
Eu ia te dar o casaco e rezar pra neve encher tudo e interromper o caminho.

Sem neve.
Sem reza.
Sem certezas.
Até sem caminho...
Não sairemos de nós.
Porque eu continuo tomando chá.
E vinho.

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